Quando se trata de
falar de amor e relacionamentos, posso diz que quanto mais crescemos,
mais conscientes estamos de que não é assim tão simples, porque todos os
dias aceitamos viver num mundo mais complicado do que uma jornada
serena numa cabana com o nosso amado. Simultaneamente, ficamos mais
sábios para lidar com o amor da forma que nos é mais fácil: sabemos
melhor o que queremos e aprendemos a cada dia que, em vez de uma
perseguição dos nossos sentimentos, o amor consiste numa decisão.
Devemos lembrar-nos disto todos os dias, especialmente quando a pessoa
que casou connosco vomita na nossa frente ou pede-nos uma cerveja
enquanto ele brinca com os pêlos da barriga na frente da televisão.
Nunca tinha feito uma lista para me proteger em encontros. Normalmente,
a única pergunta era: ¿Será que ele está realmente interessado num
compromisso?
Na Indonésia, depois de ler imensas queixas e ver o
quão facilmente alguns homens mostraram algum interesse em mim, esbarrei
em questões ridículas como estas:
- ¿Será que ele está atraído
por mim porque eu sou europeia e ele disse-me que quer trabalhar na
Europa, mas não é fácil obter o visto?
- ¿Será que ele pensa que a minha família tem imenso dinheiro, mesmo depois de eu lhe dizer que eu estou falida?
-
¿Será que ele está inconscientemente a pensar que eu valho mais porque
nesta cultura imensos indonésios acreditam que os brancos são mais
inteligente? (¿Quando é eles vão entender que eles normalmente são mais
felizes do que nós e que isso é um sinal de inteligência?)
-
¿Será que ele está a pensar que será mais fácil ter relações sexuais com
uma mulher branca? (Eu li num fórum que muitas pessoas acreditam que
nós somos como a Paris Hilton).
Eu senti vergonha desse tipo de
ideias e tentei apagá-las o mais rápido possível, especialmente porque o
que os homens indonésios mais querem saber é se estou bem e se estou a
conseguir sobreviver, mostrando compaixão pela minha situação económica.
Talvez
eu esteja contribuir para vermos imensas mulheres indonésias jovens e
bonitas a terem encontros com homens caucasianos de mais idade. Mas isso
também acontece no meu país ou mesmo na religiosa Itália, com o mestre
de “pussies” Silvio Berlusconi.
¿Será que eu estou a enfrentar
estes preconceitos quando ouço os meus amigos caucasianos a dizerem que
todas as mulheres com que saem querem ser suas namoradas e que elas
querem ter namorados caucasianos por diversas razões, como o tamanho do
pénis ou terem a mente mais aberta, isto é, ideias gerais que se
generalizaram com base num exemplo que se espalhou mas sem qualquer
significado real? Mas eu própria também sempre quis ter um namorado.
¿Estou realmente a mudar o mundo quando ouço essas histórias e não faço
nada quanto a isso? Não me parece...
Por isso, o Universo
enviou-se um pequeno presente: Apaixonei-me por um indiano e o meu ego
convenceu-se de que ele estava apaixonado por mim também. Assim, quando
ele me disse que não gostava que, normalmente, as mulheres apenas
queriam namorar com ele porque gostavam da cor da sua pele ou da cultura
indiana, eu ouvi uma voz a rir na minha cabeça. E a situação tornou-se
ainda mais engraçada quando eu lhe disse que supunha que Bolywood, o
popular cinema indiano, era mau e que hoje em dia ser indiano não é
assim tão sexy por causa das várias histórias de estupro na Índia.
Tendo
em conta que eu sou um desastre em encontros, eu perguntei-lhe se ele
planeava ir para além do “flirt”, como quem questiona um empregado sobre
a sua falta de motivação. Perguntei-lhe isto enquanto olhava para um
espaço vazio e enquanto ele ia dizendo com a expressão facial: “¡Por
favor, salva-te desta humilhação enquanto podes!” Claro que ele nunca "flirtou" comigo, apenas estava a ser educado e agradável da
melhor maneira possível. E claro, estou ciente de que nunca mais vou
vê-lo...
De qualquer modo, creio que ele provavelmente pensava
que eu estava atraída para ele também porque ele é indiano. No dia em
que o conheci, mencionei que a pele dele era linda e manifestei
interesse em saber mais sobre os casamentos indianos. Além disso, depois
de ele dizer que, normalmente, viaja de transportes públicos como eu
(não é fácil encontrar expatriados a viajar de transportes público aqui,
porque eles normalmente preferem táxi), eu disse sem pensar: "Uau , eu
te amo. Tu és o meu preferido expat".
A partir de agora, vou
lutar contra estereótipos em todas as minhas conversas e tentar não
usar expressões como "os portugueses normalmente querem". Há vários anos
no meu país, não podíamos chamar “preta” a uma mulher negra, porque
seria ofensivo. Devíamos dizer “negro”. No entanto, toda a gente podia
chamar-nos de " branco " e nós devíamos aceitar. Estou ciente do nosso
terrível passado como colonizadores, mas não quero alimentá-lo
alimentando estereótipos.
Ademais, nunca mais vou ter medo quando
alguém mostrar interesse em mim e vou seguramente continuar a dizer
quando gosto de uma cor de pele. Há várias maneiras de combater esta
"sistema ditatorial de pele”.
Entendo que é mais fácil definir as
pessoas de acordo com aquilo que as outras pessoas podem ensinar-nos e
de acordo com as nossas próprias conclusões, mas cada situação é
diferente. Será melhor se tentarmos aprender a viver sem sermos guiados
pela nossa mente. O nosso coração dar-nos-á todas as respostas no tempo
perfeito. Basta dar-lhe espaço e rendermo-nos totalmente.
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