Saturday, 22 February 2014

¡O que vai volta e é sempre tão engraçado!

Quando se trata de falar de amor e relacionamentos, posso diz que quanto mais crescemos, mais conscientes estamos de que não é assim tão simples, porque todos os dias aceitamos viver num mundo mais complicado do que uma jornada serena numa cabana com o nosso amado. Simultaneamente, ficamos mais sábios para lidar com o amor da forma que nos é mais fácil: sabemos melhor o que queremos e aprendemos a cada dia que, em vez de uma perseguição dos nossos sentimentos, o amor consiste numa decisão. Devemos lembrar-nos disto todos os dias, especialmente quando a pessoa que casou connosco vomita na nossa frente ou pede-nos uma cerveja enquanto ele brinca com os pêlos da barriga na frente da televisão.

Nunca tinha feito uma lista para me proteger em encontros. Normalmente, a única pergunta era: ¿Será que ele está realmente interessado num compromisso?

Na Indonésia, depois de ler imensas queixas e ver o quão facilmente alguns homens mostraram algum interesse em mim, esbarrei em questões ridículas como estas:

- ¿Será que ele está atraído por mim porque eu sou europeia e ele disse-me que quer trabalhar na Europa, mas não é fácil obter o visto?

- ¿Será que ele pensa que a minha família tem imenso dinheiro, mesmo depois de eu lhe dizer que eu estou falida?

- ¿Será que ele está inconscientemente a pensar que eu valho mais porque nesta cultura imensos indonésios acreditam que os brancos são mais inteligente? (¿Quando é eles vão entender que eles normalmente são mais felizes do que nós e que isso é um sinal de inteligência?)

- ¿Será que ele está a pensar que será mais fácil ter relações sexuais com uma mulher branca? (Eu li num fórum que muitas pessoas acreditam que nós somos como a Paris Hilton).

Eu senti vergonha desse tipo de ideias e tentei apagá-las o mais rápido possível, especialmente porque o que os homens indonésios mais querem saber é se estou bem e se estou a conseguir sobreviver, mostrando compaixão pela minha situação económica.

Talvez eu esteja contribuir para vermos imensas mulheres indonésias jovens e bonitas a terem encontros com homens caucasianos de mais idade. Mas isso também acontece no meu país ou mesmo na religiosa Itália, com o mestre de “pussies” Silvio Berlusconi.

¿Será que eu estou a enfrentar estes preconceitos quando ouço os meus amigos caucasianos a dizerem que todas as mulheres com que saem querem ser suas namoradas e que elas querem ter namorados caucasianos por diversas razões, como o tamanho do pénis ou terem a mente mais aberta, isto é, ideias gerais que se generalizaram com base num exemplo que se espalhou mas sem qualquer significado real? Mas eu própria também sempre quis ter um namorado. ¿Estou realmente a mudar o mundo quando ouço essas histórias e não faço nada quanto a isso? Não me parece...

Por isso, o Universo enviou-se um pequeno presente: Apaixonei-me por um indiano e o meu ego convenceu-se de que ele estava apaixonado por mim também. Assim, quando ele me disse que não gostava que, normalmente, as mulheres apenas queriam namorar com ele porque gostavam da cor da sua pele ou da cultura indiana, eu ouvi uma voz a rir na minha cabeça. E a situação tornou-se ainda mais engraçada quando eu lhe disse que supunha que Bolywood, o popular cinema indiano, era mau e que hoje em dia ser indiano não é assim tão sexy por causa das várias histórias de estupro na Índia.

Tendo em conta que eu sou um desastre em encontros, eu perguntei-lhe se ele planeava ir para além do “flirt”, como quem questiona um empregado sobre a sua falta de motivação. Perguntei-lhe isto enquanto olhava para um espaço vazio e enquanto ele ia dizendo com a expressão facial: “¡Por favor, salva-te desta humilhação enquanto podes!” Claro que ele nunca "flirtou" comigo, apenas estava a ser educado e agradável da melhor maneira possível. E claro, estou ciente de que nunca mais vou vê-lo...

De qualquer modo, creio que ele provavelmente pensava que eu estava atraída para ele também porque ele é indiano. No dia em que o conheci, mencionei que a pele dele era linda e manifestei interesse em saber mais sobre os casamentos indianos. Além disso, depois de ele dizer que, normalmente, viaja de transportes públicos como eu (não é fácil encontrar expatriados a viajar de transportes público aqui, porque eles normalmente preferem táxi), eu disse sem pensar: "Uau , eu te amo. Tu és o meu preferido expat".

A partir de agora, vou lutar contra estereótipos em todas as minhas conversas e tentar não usar expressões como "os portugueses normalmente querem". Há vários anos no meu país, não podíamos chamar “preta” a uma mulher negra, porque seria ofensivo. Devíamos dizer “negro”. No entanto, toda a gente podia chamar-nos de " branco " e nós devíamos aceitar. Estou ciente do nosso terrível passado como colonizadores, mas não quero alimentá-lo alimentando estereótipos.

Ademais, nunca mais vou ter medo quando alguém mostrar interesse em mim e vou seguramente continuar a dizer quando gosto de uma cor de pele. Há várias maneiras de combater esta "sistema ditatorial de pele”.

Entendo que é mais fácil definir as pessoas de acordo com aquilo que as outras pessoas podem ensinar-nos e de acordo com as nossas próprias conclusões, mas cada situação é diferente. Será melhor se tentarmos aprender a viver sem sermos guiados pela nossa mente. O nosso coração dar-nos-á todas as respostas no tempo perfeito. Basta dar-lhe espaço e rendermo-nos totalmente.

0 comments:

Post a Comment