Ao longo da vida vamos aprendendo que fazer expectativas nunca nos leva a bom porto. Que a vida nos presenteia sempre com algo diferente, mesmo que melhor. Que se não as tivéssemos criado teríamos saboreado melhor cada experiência. Ensinam-nos que devemos esperar o melhor sem esperar nada em concreto.
Mas esse “melhor” não terá uma imagem na nossa cabeça? E mesmo que não tenha, se recebermos o melhor saberemos recebê-lo como tal?
O conselho de “esperar o melhor” faz todo o sentido para quem nos quer proteger. O que realmente significa é que quem o diz espera o melhor para nós. Não sabe o que é o melhor para nós, por isso apenas espera.
Esperar o melhor é incompatível com a necessidade que temos de avançar, de lutar por algo, de construir. Esperar apenas o melhor é uma esperança passiva.
Pelo contrário, se esperarmos algo concreto, que conseguimos visualizar com todas as cores e pormenores, seguimos na vida sem sentirmos o esforço que estamos a fazer. Não se pode esperar que uma pessoa fuga de um cão porque lhe dissemos “vem aí um cão” do mesmo modo que o faria se fosse ela a ver o animal. Tal como um atleta nunca espera apenas o melhor, mas sim a vitória. Sem esse pensamento, por mais ilusório que pareça, nunca conseguirá vencer. Esperar o melhor é ficar em terra quando podemos voar.
É mais arriscado esperar algo em concreto, mas se a vida não for feita de riscos, será realmente vida? Esperar algo em particular, veementemente, todos os dias, é lutar para que isso aconteça, como diz o livro “O Segredo”.
E se aquilo que esperávamos não se concretizou, pelo menos fica a sensação de que soubemos o que queríamos e que lutámos por isso. Além de que só o facto de imaginarmos algo com pormenor nos faz sorrir e há quem diga ainda que também faz bem ao sistema nervoso. Segundo os cientistas, estar com a cabeça na lua também nos prepara para melhor respondermos com criatividade perante crises.
Resumindo, um voo perdido não é uma derrota, mas uma aprendizagem. E só cai verdadeiramente quem nunca aprendeu a levantar-se. E quantas mais vezes caímos mais conhecemos as nossas forças para voltarmos a por-nos de pé.
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